16 de julho de 2008

Pelos Canais de Kerala - India (mai/08)

Alleppey e’ a porta de entrada para os famosos passeios de barco pelos inumeros rios e canais de Kerala. Eu e Luci tentamos, no primeiro dia, fazer um pequeno passeio com o barco do transporte local mas, com a dificuldade de comunicacao, nao conseguimos encontrar o barco certo.

No dia seguinte, fomos a Marari beach, uma praia maravilhosa, ainda nao descoberta pela massa turistica. Areia branca, inumeros coqueiros, um paraiso!

No terceiro dia, finalmente, fizemos nosso tao esperado passeio pelos canais. Peter, meu amigo Bollywoodiano, se juntou a nos. Ao inves de escolhermos um dos grandes, lindos e poluidores barcos-casa, onde as pessoas fazem o passeio e dormem por uma noite no barco, optamos por um passeio de canoa, que nos levou aos pequenos canais, impossiveis de serem explorados por grandes barcos. Passamos por pequenos vilarejos, com criancas brincando e pedindo canetas (Kerala e’ um estado com otimo indice de alfabetizacao e la as criancas pedem canetas a inves de dinheiro! Lindo!), mulheres lavando roupas e loucas, bufalo d’agua e muito mais.

Nossas fartas refeicoes foram na propria casa do Sr. Kunjanchan, nosso guia, uma estranha figura que as vezes comecava a rir sem qualquer motivo aparente, talvez nos achando loucos de pagarem 500 rupias para trabalhar pesado, remando a canoa dele por varias horas!

No caminho, fizemos uma parada para o Sr. Kunjanchan nos apresentar a cerveja de coco, bem tipica da regiao. O sabor era estranho, nem boa nem ruim. Tinha um pouco de gosto de pao encharcado, com uma leve fermentacao e o teor alcoolico ainda nao estava alto, precisava de uma um ou dois dias fermentando. Mas, entrou como um interessante dado da pesquisa etilica dessa viagem!

Na manha seguinte, nosso pequeno e recem formado grupo se dissolveu, cada um seguindo seu proprio caminho rumo ao norte, na esperanca de nos encontrarmos la por cima mais uma vez.

11 de julho de 2008

Amma - The Hugging Mother - India (abr/08)

Amma e’ uma dessas pessoas que dedica a vida em prol do bem estar alheio. Ela sentiu o chamado desde crianca e e’ reconhecida internacionalmente pelos milhoes de abracos que distribui pelo mundo. A intencao e’ espalhar amor e levar consolo `a dor alheia. Alem disso, ela tem inumeros projetos sociais, ja construiu milhares de casas, varias escolas, hospitais (inclusive um ayurvedico de primeira linha), etc., e suas atividades nao param.


Visitei o Asharam dela em Kerala, no sul da India, localizado num lugar maravilhoso, uma estreita peninsula entre um rio e o mar, o qual, inclusive, foi inundado pelo Tsunami de 2004. A participacao dela na recuperacao da regiao foi importantissima.


Meu timming foi perfeito, porque ela viaja muito e passa pouco tempo no Ashram, mas cheguei para receber seus dois ultimos dias de abracos em Kerala, ate agosto.


O Ashram e’ enorme, sao cerca de 3.000 residentes, entre indianos e gringos. E a quantidade de gente que vem receber seu abraco e’ inacreditavel. A energia dela e’ forte, da pra sentir `a distancia. Mas, o abraco em si e’ tao rapido, por causa do numero de pessoas nas filas, que eu nao consegui sentir nada. Ja virou praticamente uma “industria do abraco”, e eu me pergunto se isso faz algum sentido dessa forma... Nos dias mais movimentados, ela passa 11-12 horas dando abracos, sem parar nem para comer. Apesar disso, no primeiro dia, logo em seguida ao abraco, quando eu me sentei, senti uma sensacao bem forte, como uma explosao de energia na regiao do estomago e do plexo solar. Entao, saindo do mental e ficando so no campo das sensacoes, da energia que ela espalha, talvez tenha efeito sim.


No segundo dia, o abraco foi mais longo e menos mecanico, o dia estava mais tranquilo, e minha sensacao foi na regiao do 3o olho. Essa vez foi bem mais forte, cheguei sem expectativas e me surpreendi!


Ao final da sessao, uma mulher de familia muito rica trouxe inumeros presentes para a Amma. Ela comecou lavando os pes da Amma, com iogurte, depois agua de rosas, com petalas e tudo mais. Depois, presentou-a com um sari muito fino e adornou-a com brincos, pulseiras, tornozeleiras, colares, todos enormes e de ouro, alem de ter levado muita comida. Impressionante! Muito ego de ambas as partes, para o meu gosto… Mas, pelo menos os presentes que ela ganha sao todos (supostamente) convertidos em dinheiro e destinados aos inumeros projetos de caridade que ela toca. Ha uma certa controversia quanto a isso mas, ainda assim, seja tudo convertido ou nao, ela tem feito muita coisa importante entao, esta valendo!


La conheci duas pessoas incriveis, a Luci (franco-colombiana, que mora nos EUA) e a Regina (holandesa). Desde que nos conhecemos nao nos desgrudamos umas das outras, e Luci seguiu viagem comigo, para Alleppey, ainda em Kerala.

6 de julho de 2008

Goa (India) - abr/08

Aqui estou eu de volta! Estou na China ha exatamente 1 mes e, finalmente, o acesso aos sites de blogs, que era censurado aqui, foi liberado! Viva as Olimpiadas!!! Com a sua proximidade, varios sites que antes tinham acesso negado estao sendo liberados. Espero que essa mudanca venha para ficar e nao seja apenas maquiagem que, tao logo a festa acabe, e' retirada. O tempo dira...

Mas com isso, estou, mais uma vez, atrasadissima aqui no blog. Entao, vou postar com a maior frequencia possivel, em uma nova forca-tarefa. Acessem com frequencia! Vou recomecar pela India, na minha visita a Goa.

Fui para Goa de onibus, direto de Aurangabad. Foram umas 16 horas de tortura, freiadas bruscas e muita buzina. Viajar de onibus na India e' completamente estressante. Dormir e' praticamente impossivel. A regra aqui e' nao parar mas, simplesmente, buzinar e seguir a diante, mesmo se estiver seguindo pela contra-mao. O veiculo, seja ela um mero carro ou um respeitavel caminhao, que vem na mao certa, que encoste. Bom, mas eles se entendem... E nos meditamos, fingimos para nos mesmos que esta tudo certo, que vamos conseguir dormir, ate, finalmente, chegarmos, por incrivel que pareca, saos e salvos ao nosso destino.

Minha primeira parada em Goa, um estreito estado localizado na costa oeste da India, foi em Anjuna, praia que tinha sido muito bem recomendada mas, que eu confesso que nao gostei. Estava totalmente fora de epoca entao estava bem vazia, mas o que eu nao gostei mesmo foi do clima, da energia das pessoas de la. Mas, conheci uma familia hippie espanhola, que deu um toque especial para a minha estada por la.

Apesar de ser famosa pelas suas inumeras festas eletronicas, Anjuna estava parada, por causa de um assassinato de uma inglesa, que aconteceu 2 meses antes da minha chegada. Talvez por isso o clima nao estava bom.

A grande atracao de la foi o Mercado das pulgas, que e' enorme e famoso em toda a India. Apesar dos precos iniciais serem totalmente abusivos, como era o final da estacao e um dos ultimos mercados do ano, com muita pechincha os precos caiam absurdamente. Tinha de tudo, muita coisa bacana.

Fiz uma trilha linda para Baga, uma outra praia la perto (que so vale a pena mesmo ver de cima), para me consultar com um curandeiro, que faz um trabalho energetico incrivel e atende por doacao!!! A fila e' enorme, de indianos e estrangeiros, e e' preciso chegar cedo para pegar a senha. Meu atendimento foi otimo, sai de la quase flutuando!!! Alias, antes mesmo de entrar na sala, eu ja estava me conectando com ele (a cura energetica comeca muito antes da sessao iniciar) e ja senti que o trabalho seria forte. Sem contar que ele transmite uma paz inigualavel, so de olhar para ele. Se em Goa tivesse acontecido so isso, ja teria valido a pena!!!

Enquanto eu esperava minha vez, encontrei, por coincidencia, a Sahar, uma amiga da galera de Alto Paraiso, que tambem estava na fila, e o Goresh, amigo dela muito gente boa, que me levou pra cima e pra baixo em todo o meu tempo em Goa.

Depois de uns dias, eu segui para Arambol, praia que eu amei, onde tinha uma galera bem mais bacana e estava mais movimentada (na medida certa). Fiquei hospedada numa cabana exatamente em frente `a praia, com uma vista maravilhosa da minha varanda. Na verdade, ficamos eu e um rato amigo, que me fazia companhia `a noite. Rsss... No teto da cabana tinha um pano esticado, pra proteger, ja que ela era de palha, e ali o rato morava. Tirando o susto da primeira noite, quando ele comecou a se movimentar por la, foi tranquilo. Como ele nunca saiu la de cima, se aventurando pelo quarto, nao teve problema. Coisas da India...

Em Arambol, eu encontrei o Julinho, totalmente por coincidencia ou sincronicidade. Foi otimo! Nao tinhamos combinado nada, ja que estava cada um seguindo sua viagem solo por um tempo, e foi muito gostoso.

La, eu tive a chance de fazer 3 atendimentos de Cinesiologia!!! O primeiro, num amigo Bollywoodiano e os outros dois em pessoas que conheci la, uma espanhola que esta passando por uma fase e seguindo um caminho muito parecido com o meu, o que nos rendeu horas e horas de conversas, e um musico holandes. Foi super gratificante, tanto por poder praticar, quanto por ver os resultados imediatos.

Os dias foram de tranquilidade total, com muitas caminhadas, praia, lagoa, entardeceres maravilhosos, banho de lama medicinal. Quer mais o que, ne?

Eu fui a uma festa eletronica com a Sahar e os amigos dela. Como estava na baixissima estacao, o DJ era muito ruim e o clima estava pesadissimo. Mas, o que me impressionou foi que as festas em Goa sao todas de graca e os DJs nao recebem cache. Mesmo assim, na alta estacao, varios top DJs disputam pra tocar la!

Em Goa e' muito engracado, porque volta e meia vemos uma placa do tipo "Restaurante da Fatima" ou "Vila Sao Jose", etc. Goa foi colonizada pelos portugueses, que estiveram uns 400 anos ali e deixaram sua marca. Vemos varias igrejas catolicas, o que para mim foi totalmente inesperado de ver na India, e as pessoas mais velhas ainda falam um pouco de portugues.

Adorei Arambol. A praia e' realmente gostosa mas nao me senti muito na India, a nao ser pela culinaria, que eu amo! O lugar e' pequeno e tem gringo demais. Mas e' super relax e nao da vontade de ir embora.

De la, segui para Kerala, o Estado da Ayurveda, das backwaters, do Kathakali (teatro tipico) e de uma culinaria divinamente deliciosa!

12 de junho de 2008

Mudanca de planos

Como a regra de uma grande viagem tem que ser a flexibilidade e a abertura para o novo, depois de varios eventos acontecidos na India, que serao assunto de um post futuro, resolvi mudar totalmente meus planos e antecipei a minha saida de la (pelo menos por enquanto). Estamos em Hong Kong e amanha partimos para a China.

Na democratica China, porem, parece que os blogs sao (ou estao) vetados. Entao, se eu sumir por um tempo, essa e' a razao. Mas se isso realmente acontecer, assim que eu sair de la, vou fazer um super esforco para aproximar o blog do presente o mais rapido possivel. Sentiram que fui bem realista, ne, eu disse aproximar..., estou perdendo as esperancas de conseguir ficar totalmente em dia com ele. Mas, tudo bem, a regra e' a flexibilidade, nao e' mesmo? =)

7 de junho de 2008

As Cavernas de Ellora

Eu estava em Mumbai, caminhando para a estacao de trem, para comprar minha passagem para o trem noturno para Goa, quando tive um encontro sincronico com um amigo Bollywoodiano, que estava voltando da estacao e tinha acabado de encontrar vaga no trem para Aurangabad para dai algumas horas. Naquele mesmo instante, eu tive certeza absoluta de que eu nao encontraria vaga no trem para Goa. Dito e feito, entao, sem hesitar, mudei meus planos e fomos juntos para Aurangabad.

Me organizei de forma a chegar com meia hora de antecedencia na estacao e qual nao foi minha surpresa quando, chegando `a plataforma, tive tempo apenas de checar se o trem era mesmo o meu e subir correndo, porque ele ja estava partindo… Nao entendi nada, um trem saindo com meia hora de antecedencia??? Acabei descobrindo que meu relogio estava atrasado (e so entao entendi os cabelos em pe do gerente do hotel com o meu atraso no check out…) Continuei sem entender nada por varios dias, porque meu relogio nao atrasa… Enfim, depois de muito tempo, me dei conta de que a diferenca de fuso horario na India nao e’ de 8h em relacao ao Brasil, e sim, de 8h e meia! Eu nunca tinha ouvido falar em fuso horario partido… Coisas da India!

Bom, essa foi minha primeira viagem de trem na India. Eram so 6h de viagem e meu bilhete era para um vagao normal, sem ar condicionado (mas com ventiladores), ou seja, o vagao da grande massa. Eu era a unica estrangeira do vagao e meu lugar era ao lado de uma indiana com um filho de uns 10 anos de idade. Ela falando em hindi (ou qualquer outra das centenas de linguas locais indianas…) e eu em ingles, conseguimos descobrir que estavamos indo para a mesma cidade.

Passado um certo tempo, eles comecaram a me oferecer comida e quando as pessoas ao redor perceberam que eles estavam finalmente interagindo comigo, virou uma festa. Eles queriam saber meu nome, me ofereciam cha, comida, compraram doce para mim. Na verdade, me senti o proprio bichinho de zoologico, sendo observada e alimentada por um monte de gente. Comedia!

Na manha seguinte, acordamos antes do sol raiar, para evitarmos as horas mais quentes do dia nas cavernas. No onibus, no caminho para Ellora, mais uma cena divertida, que depois se mostrou ser completamente normal na India. Entrou um grupo de adolescentes, todas mulheres, e se sentaram ao meu lado e atras de mim. A que estava atras, imediatamente me cutucou e perguntou de onde eu era, meu nome, minha idade, se eu era casada, minha profissao e se eu estava viajando com um grupo. Sao as perguntas basicas, que quase todos fazem. Muitas vezes, eles ainda querem saber a nossa religiao e qual e’ o nosso salario! Se perguntarmos isso para eles tambem, nao tem problema, eles respondem numa boa.

Bom, falar que eu sou do Brasil, 99% das vezes provoca uma reacao de alegria e eles sempre elogiam o pais! E’ o sonho de muitos deles conhecer o Brasil. A minha idade os choca duplamente: 1o, porque quase ninguem acredita que eu nao tenha 24-25 anos! O bom e’ que eu vou fazendo anos e a crenca popular continua estagnada nos 24-25!!! Adoro isso! 2o, nao ser casada e ter filhos com uma idade dessa, e’ absolutamente inconcebivel… Mas e’ tanto, que agora ja mudei de tatica. Quando perguntam, falo que tenho 24 e tudo fica um pouco mais simples (mas nem tanto, porque com 24 eu ainda assim ja quase passei da hora de casar…)! Outra resposta que os choca e’ eu estar viajando sozinha. Com a total falta de independencia da mulher na India, eles nao conseguem entender isso mesmo.

Bom, os monasterios, capelas e templos das cavernas de Ellora foram esculpidos nas rochas, ao longo de 5 seculos, por monges budistas, hindus e jainistas. Assim, existe um conjunto de cavernas para cada estilo. Sao todas lindas, mas as mais ricamente adornadas sao as hindus, destacando-se, disparado, o templo Kailasa, dedicado a Shiva. Foi uma das coisas mais impressionantes que eu ja vi. Ele e’ enorme e absolutamente trabalhado, uma coisa maravilhosa! Nao da vontade de ir embora…

La, conheci o Vijay, um indiano muito sangue bom, puro coracao, que me mostrou umas outras cavernas menos visitadas, onde os locais vao pela manha meditar e praticar yoga, um lugar de muita paz. Que privilegio poder comecar o dia dessa forma!

Chegando de volta a Aurangabad, embarquei imediatamente num onibus para Goa, iniciando minha primeira aventura nos onibus da India, mas isso e’ assunto para outro post…

28 de maio de 2008

Atriz Bollywoodiana - abr/08

Minha primeira parada na India foi em Mumbai. A cidade e’ grande, com cerca de 16 milhoes de habitantes. Mas, a achei surpreendentemente limpa e menos caotica do que eu imaginava. Claro que o transito e’ uma loucura, as buzinas nao param, mas isso acontece em praticamente qualquer lugar da India. E’ uma cidade mais cosmopolita, o povo tem a mente mais aberta e acho que foi o lugar ideal para chegar na India.

Mumbai tem varios monumentos e predios antigos e muito bonitos. Fiz um pequeno tour por alguns deles e, quando eu ja estava para ir embora de la, andando por uma rua bem movimentada, fui convidada para participar como figurante de um filme de Bollywood! Seria um dia inteiro no set de filmagens, junto com varios outros gringos, e com direito a cache e tudo mais!!!! Chiquerrimo!

Tive um receio inicial mas, acabei topando e foi muito divertido! No dia seguinte cedo, saimos para o set, num onibus cheio de gringos. Nao sei porque nos levaram tao cedo para la, porque passamos a manha inteira conversando nos camarins, e tomando chai! Foi otimo porque assim deu pra conhecer as pessoas antes das filmagens comecarem.

As cenas das quais participamos aconteciam numa festa de gala, em algum pais da Africa, com a presenca de uma princesa indiana. Nos eramos os convidados e, estavamos todos vestidos com roupas de festa, smoking, vestidos e saltos altos, com uma pompa e circunstancia meio brega! E passamos a tarde inteira apenas conversando, dando gargalhadas, fingindo que estavamos nos divertindo na festa, segurando tacas de bebidas falsas nas maos, enfim, nada mal para um duro dia de trabalho!

O filme, Karzzzz, tem previsao de ser lancado bem em breve e tem chances deu ainda estar na India quando ele sair nos cinemas. Pelo naipe do ator principal, acho que sera bem trash! Estou muito curiosa…

Foi muito divertido, mas o melhor de tudo foram as pessoas que conheci la. A galera era muito gente boa, fiz otimas conexoes e acabei encontrando alguns amigos super stars em outros lugares da India. Muito bacana.

13 de maio de 2008

Ahhh, a India!

Mal posso acreditar que estou na India!!! Estou realizando um sonho, cultivado ha muitos anos! Na minha entrada no aviao, no voo de Bangkok para Mumbai, ja deu para sentir o que viria pela frente, varios olhares sedentos cravados em mim... Os indianos sao impossiveis e encaram e abordam as estrangeiras como nenhum outro povo o faz. E eu que pensei que estivesse indo pra India pra ficar mais zen, que engano... Conversando com uma pessoa em Bangkok, descobri que a mulherada fica e' mais forte, porque nao da pra ser fragil por aqui, principalmente as mulheres viajando sozinhas. Bom tambem!

A chegada em Mumbai foi forte, marcante. Eu estava incrivelmente calma e tranquila. A ansiedade, o medo e a inseguranca de chegar sozinha na India passaram completamente. O caminho para o hotel foi intenso. Nunca vi um transito igual a esse... E' transito sem lei... E a unica regra, que e' seguida `a risca, e' a da buzina! O motorista enfiava a mao na buzina e acelerava. Quem quizesse que saisse da frente! As faixas separando as pistas eram meramente decorativas. Eles encaixam quantos carros couberem na pista e vao recortando, abrindo seus caminhos, uma verdadeira loucura. Eu ia rindo, achando aquilo tudo muito engracado e simplesmente me sentindo radiante por estar na India! Ate que a realidade dura desse pais se descortinou sob os meus olhos e as buzinas, as quase batidas de carros e outros tantos quase atropelamentos foram me deixando exausta. Parece que a vida nao tem tanto valor aqui... Mumbai e' uma cidade de mais de 16 milhoes de habitantes, com 55% deles vivendo em favelas ou nas ruas... Aquele numero interminavel de pessoas dormindo nas ruas foi me fechando, esmagando o meu coracao e uma triteza profunda tomou conta de mim. E' uma licao de vida sem igual! E e' para isso que estou aqui, para me lapidar, crescer, amadurecer, me tornar uma pessoa melhor, mais humana, mais compassiva, mais amorosa. Estou pronta e aberta para todas as licoes que essa terra sagrada tem para me oferecer!